segunda-feira, 9 de maio de 2011

A Saga da Jeitosinha - Cap. XIV

Lentamente Jeitosinha foi recuperando a consciência. Nos primeiros minutos, aquele cenário de ficção científica parecia apenas um sonho estranho. Mas à medida em que as imagens ganharam contornos e cores – e que aflorou em sua mente a lembrança dos últimos momentos no carro – um indescritível pânico tomou conta de nossa heroína.

Seu grito agudo acordou Arlindo que, como ela, encontrava-se atado a uma chapa metálica, quase verticalmente. A sala estava deserta mas, minutos depois, duas das criaturas verdes entraram no ambiente.

Mesmo sendo de uma espécie muito diferente, Jeitosinha sentiu que aqueles seres estavam muito tristes. Seus enormes olhos revelavam esta condição. Usando um estranho aparelho, que acoplado à boca do extraterrestre funcionava como um tradutor, a criatura que parecia liderar as demais dirigiu-se ao casal.

- Creio que lhe devemos explicações…

Jeitosinha e Arlindo estavam paralisados pelo medo. O homem verde continuou:

- Meu planeta está passando por uma crise terrível. Construímos uma civilização poderosa e avançadíssima. Controlamos toda a nossa galáxia, mas estamos condenados à extinção.

Os rostos curiosos dos irmãos não moviam um só músculo, enquanto o ET narrava sua história. Ele explicou que, por um capricho da biologia que a ciência não conseguiu contornar, estava nascendo em seu planeta um número infinitamente inferior de mulheres, numa comparação com o número dos homens. Pelos cálculos dos cientistas, em não mais que quinhentos anos seu povo terá desaparecido, a não ser que se encontre uma alternativa para se reverter o quadro.

Numa análise superficial – continuou a criatura – percebemos que talvez fosse possível utilizar as terráqueas para gerar nossos filhos. Se a idéia se confirmasse, nossa intenção era a de exterminar todos os homens e levar conosco as mulheres. Minha missão veio à Terra com o propósito específico de, analisando a anatomia feminina, abortar ou autorizar a operação.

O homem verde deixou-se desabar numa cadeira, vencido pelo desânimo.

- Mantivemos você sedada por seis horas – disse, dirigindo-se a Jeitosinha – e descobrimos, depois de estudá-la, que a máquina humana é muito mais complexa do que esperávamos. Vocês, mulheres terráqueas, são bastante parecidas com os homens.

Jeitosinha esforçou-se para não demonstrar sua enorme alegria: ao ser confundida com uma mulher, sem querer ela havia salvado a raça humana da destruição total!

- Vamos libertá-los e partir atrás de outros mundos. – Encerrou o ser.

Já de volta ao carro, ainda atônita por aquele turbilhão de emoções, Jeitosinha abraçou seu irmão e inimigo:
- Você entende, Arlindo? Minha vida tem um sentido! O que são nossas rusgas do dia-a-dia diante desta experiência tão avassaladora?

Arlindo afastou Jeitosinha e esboçou um sorriso pálido.

- É irmã. Foi bom. O dia está nascendo e devemos voltar para casa. Mas como a vida continua, amanhã você estréia no bordel.

O que estes ETs vieram fazer na história?
Será que se foram da mesma forma estúpida com que entraram?
Confira amanhã o próximo e emocionante capítulo!

domingo, 8 de maio de 2011

Feliz dia das Mães!

À todas as leitoras deste blog que são mamães, às mamães de todos meus leitores, e a minha mãezinha:
UM FELIZ E ABENÇOADO DIA DAS MÃES!!!!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Saga da Jeitosinha - Cap. XIII

No capítulo anterior:
Arlindo quer ganhar dinheiro com a irmã e exige que ela se prostitua.
Jeitosinha a Thiago têm uma intensa noite de amor.
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A família finalmente percebeu que Ambrósio estava desaparecido. Ele não havia voltado da pescaria nem dado sinal de vida. Marilena chamou a Polícia, que pareceu não dar muita importância à ocorrência. Os dois policiais fizeram poucas perguntas, anotaram um boletim de forma burocrática e se foram em poucos minutos, levando uma foto do homem.
Jeitosinha chegou em casa quase na hora do almoço. Os irmãos não perceberam que ela passara a noite fora, mas sua mãe sim.
- Onde você estava? – perguntou. Jeitosinha ignorou a abordagem. – Sorte sua seu pai não estar por aqui. Ele não ia gostar disso… – insistiu Marilena, com um tom seco de reprovação na voz. A resposta da filha foi carregada de ironia:
- O que poderia preocupá-lo, mamãe? O risco de que eu perca a virgindade ou volte grávida para casa?
Marilena tentou acariciar o cabelo da filha, que afastou sua mão com um gesto brusco.
- Não me encoste! Eu odeio você! Um fio de lágrima escorreu pela face esquerda da sofrida mãe.
- Querida… Você é tão jovem… Tem uma vida pela frente! Ainda há tempo de encontrar a felicidade…
- Como eu poderia ser feliz? Eu sou uma mulher aprisionada no corpo de um homem!
- Veja o lado positivo… – tentou consertar Marilena – Você não tem tensão pré-menstrual, não precisa sentar-se em privadas sujas de boate… Mantenha a calma e a resignação. Você ainda encontrará algum homem que a aceite como você é!
“Sim”, conjecturou Jeitosinha. “Este homem talvez seja Thiago. Mas como ele estará se sentindo depois de nossa estranha noite de amor?”. Ela pensou durante todo o dia no seu amado, reunindo forças para enfrentar sua primeira noite no bordel de luxo.
Curiosamente, a expectativa de entregar-se a estranhos não a incomodava. Desde a revelação de sua condição, ela não se reconhecia naquele corpo. Não sentia que tivesse que zelar dele.
Eram nove da noite quando Jeitosinha entrou no fusca de Arlindo, rumo à casa de encontros. O local ficava próximo, mas era preciso percorrer um pequeno trecho numa estrada pouco movimentada. Justamente quando passavam pela parte mais escura e deserta do percurso, uma luz surgida do nada cegou momentaneamente Arlindo, impedindo-o de dirigir. O rapaz pisou no freio abruptamente. Antes que pudessem esboçar qualquer reação, as duas portas do carro foram abertas, e o casal foi retirado de dentro do veículo por mãos poderosas.
Pouco antes de tomar uma descarga elétrica que a faria perder os sentidos, Jeitosinha pôde ver a face de seus raptores: eram homenzinhos verdes vestindo estranhos macacões prateados.

Jeitosinha e Arlindo nas mãos de ETs!
Confira segunda, o próximo e emocionante capítulo!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Saga da Jeitosinha - Cap. XII

 Jeitosinha não acreditava no que acabava de ouvir. Desde a revelação de seu trágico segredo, sentia-se num pesadelo sem fim. Não bastasse todo o ódio em seu coração, o estranho desfecho da morte do pai e a perda de Thiago, seu amado, agora a nossa heroína era chantageada pelo cruel Arlindo!
- Você quer que eu me prostitua?
- Sim. – confirmou o irmão, sem um pingo de emoção na voz – Existe um bordel de luxo aqui perto de casa… Pessoas exóticas como você podem ter um bom valor no mercado.
- M-mas… Eu sou virgem! Sou inocente! – retrucou Jeitosinha, aos prantos.
- Pois você tem até amanhã para aprender o que precisa.
Arlindo deixou o quarto da loira batendo a porta. Adenair entrou em seguida, curioso para saber o que acontecera. Jeitosinha contou resumidamente a história.
- Mas não pode ser! Você precisará matá-lo também! – reagiu o enrustido, batendo o pezinho nervosamente.
- Sim, mas não poderei fazê-lo agora. Não com o estranho desaparecimento do corpo de papai. Precisamos desvendar primeiro este mistério – disse Jeitosinha, recompondo-se.
- Então você…
- Não resta alternativa, Adenair. Terei que me submeter aos caprichos de Arlindo. E pode ter certeza: amanhã estarei mais pronta do que ele pensa!
*****
Pela primeira vez desde o rompimento, Jeitosinha voltou naquela noite ao apartamento do Thiago. Encontrou-o em estado de total desespero, sorvendo doses e mais doses de uísque barato.
- Você destruiu a minha vida! – Lamentou o jovem.
A loira, usando um vestidinho curto, sentou-se no seu colo. Numa explosão de luxúria, enfiou a língua na boca de Thiago, antes que ele pudesse esboçar qualquer reação. Num primeiro momento ele retribuiu ao carinho, mas logo lembrou-se de que estava beijando um homem. Rejeição e desejo se sucediam em ondas no coração de Thiago. Mas ele havia bebido bastante e amava Jeitosinha…
No dia seguinte, consumada uma louca e completa noite de amor, a loira acordou e viu Thiago, de pé, contemplando-a . Ela abriu um sorriso, mas não foi retribuída.
- Você é tão bonita… – murmurou o rapaz, com um semblante que mais sugeria um lamento que um elogio.
- O que você achou da noite, meu amor?
- Eu… Eu estou confuso… Foi tudo muito diferente… Me vi fazendo coisas que nunca imaginei ser capaz…
- Calma, amor… – respondeu docemente Jeitosinha – Sente-se aqui ao meu lado. Vamos conversar melhor sobre isso…
- Bem… – respondeu Thiago, com um sorrisinho sem graça – podemos até conversar. Mas sentar eu não consigo…


Jeitosinha e Thiago irão se reconciliar?
Confira o próximo e emocionante capítulo de “A SAGA DE JEITOSINHA”

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Saga da Jeitosinha - Cap. XI

- Você nunca me enganou, Jeitosinha… – a voz de Arlindo destilava revolta e ódio.
- Vou contar teu segredo ao papai, assim que ele voltar da pescaria! Aliás, vou contar ao mundo!
- Contar ao papai? – espantou-se a moça. Então, Arlindo não sabia que o pai estava morto! Não foi ele quem escondeu o corpo! Jeitosinha estava tão fragilizada que acabou assumindo sua bizarra condição ao irmão.
- Sim, Arlindo. Sou uma mulher aprisionada no corpo de um homem. Mas sou a maior vítima desta situação! Eu lhe imploro: não revele o meu segredo!
- Não adianta, Jeitosinha… – retrucou o magoado Arlindo – Toda a minha vida brinquei com cavalinhos feitos de palitos de fósforo fincados em batatas, enquanto a princesa tinha os mais caros brinquedos. Toda a minha vida dormi espremido num beliche, com os pés do Amarildo tocando as minhas narinas, enquanto você tinha seu quarto e finos lençóis de seda…
Arlindo agarrou Jeitosinha pelos braços e fitou o fundo de seus olhos.
- Mas o que eu nunca vou perdoar mesmo foi aquela surra que levei quando descobri a verdade sobre você… -Arlindo tremia de rancor.
- Mas nem eu mesma sabia! – Tentou defender-se Jeitosinha.
- Chega! Chega de suas mentiras!
- Arlindo virou-se em direção à porta. A irmã, desesperada, lançou-se ao chão e abraçou seus pés.
- Não, Arlindo… Por favor! Eu faço qualquer coisa!
- Qualquer coisa? – O tom do rapaz agora era mais suave. – Comece mostrando-se para mim. Quero vê-la nua!
Relutante, Jeitosinha livrou-se de suas roupas e revelou seu corpo perfeito de mulher. Bem, quase perfeito.
- Não é justo… – balbuciou Arlindo, apontando o apêndice que fazia de Jeitosinha um quadro surrealista – Até neste quesito você ganha de mim…
- Por favor, não seja rude comigo…
- O que? – espantou -se o moço – Você imaginou que eu quero tocar você? É ruim, hein?
- Mas… O que você quer então? – Perguntou a moça, voltando a se vestir…
- Você vai me render dinheiro, irmãzinha. Muito dinheiro!


O que Arlindo pretende? Como Jeitosinha sairá dessa?
Confira, no próximo e emocionante capítulo!

terça-feira, 3 de maio de 2011

A Saga da Jeitosinha - Cap. X

No capítulo anterior:
Jeitosinha volta para casa e encontra todos calmos. O corpo de seu pai fora retirado do local do crime. Mas por quem?
Segundo Marilena, Amarildo foi pescar!
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Naquela manhã de segunda, a mãe e os sete irmãos sentaram-se juntos para o café, na longa mesa da copa. Era tradicionalmente o momento em que a família colocava seus assuntos em dia. Mas um silêncio incômodo pairava no ar. Jeitosinha sondou cada rosto, buscando em algum deles um sinal que indicasse quem teria escondido o corpo de Ambrósio. É claro que o pai não retornara da pescaria na noite anterior. Mas porque ninguém parecia se importar com o fato? Disfarçando o nervosismo, a moça arriscou perguntar à mãe:
- O papai não voltaria ontem?
- Sim, querida – respondeu Marilena – Mas ele ligou dizendo que uma ponte caiu e que eles estão isolados na vila onde foram pescar.
- Era a voz dele, mãe? Tem certeza?
- Que pergunta… Claro, minha filha. A ligação estava ruim, mal escutei o que ele dizia. Mas quem mais poderia ser?
Arlindo, o ciumento irmão mais velho, esboçou um sorriso enigmático, que Jeitosinha rapidamente captou como um indício de culpa. “Sim! Arlindo! Só pode ser ele!”, pensou. “Arlindo sempre desconfiou de que havia algo errado comigo. Ele nunca perdoou papai pelo carinho que me dedicava. Ele sabe, por alguma razão, que fui eu quem matou papai e apagou as evidências como parte de um plano de vingança! Mas porque esconder o corpo, em vez de simplesmente me entregar à polícia?”.
As perguntas atormentavam a mente limitada de nossa heroína loira. Ela voltou para o quarto, cobriu o rosto com o travesseiro e começou a chorar baixinho. No princípio, chorava por medo. Pela confusão que tomara conta de sua vida. Mas logo sua dor se transfigurou, e Jeitosinha passou a verter seu pranto por saudades do seu Thiago. Lembrava-se das mãos do amado percorrendo seu corpo. Sentiu um calafrio e uma onda de excitação só de imaginar o toque suave de seus dedos. Neste momento, abruptamente, Arlindo abre a porta. Jeitosinha ainda tem tempo de disfarçar as lágrimas. Mas não a ereção.
- Ahá… Eu sabia! – Bradou o irmão, radiante, enquanto uma descarga de adrenalina fazia desaparecer do jeans apertado o volume comprometedor.


Conseguirá Jeitosinha escapar da revolta de Arlindo?
Confira amanhã, no próximo e emocionante capítulo!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Saga da Jeitosinha - Cap. IX

Passava da meia-noite quando Jeitosinha voltou para casa. Seu álibi foi perfeito: consumiu as últimas horas estudando Geografia com uma amiga, como costumava fazer.
Ela estava impressionada com a própria frieza: conseguiu concentrar-se nos livros e conversar amenidades, como se nada tivesse acontecido. Mas ainda sentia nas mãos o tremor da serra elétrica. Os gritos de Ambrósio continuavam ecoando em seus ouvidos. Eram sensações surpreendentemente gostosas. Arrependimento mesmo, só o de ter perdido o capítulo da novela das nove. “A mamãe eu matarei na hora do Jornal Nacional”, jurou para si mesma.
As luzes da sala estavam acesas. Viu pela janela os vultos de seus familiares. Entrou pela porta principal, preparando-se para fingir dor e desespero ao se deparar com os pedaços de carne e ossos de seu pai espalhados pela sala. Mas qual não foi o seu espanto ao perceber que não havia na casa um só vestígio de seu crime hediondo! Quatro de seus irmãos, inclusive Adenair, estavam assistindo TV, tranquilamente. Sua mãe havia se recolhido ao quarto.
- Onde está o papai? – perguntou.
- Foi pescar – respondeu Amarildo, o segundo filho de Ambrósio e Marilena.
- Pescar?
- Sim, deixou um bilhete com a mamãe, dizendo que resolveu na última hora e que volta amanhã à noite.
As belas pernas de Jeitosinha estremeceram e ela sentiu uma estranha vertigem. Realmente seu pai era dado a estes rompantes e o sumiço não chegava a espantar ninguém em sua casa. “Será que tudo não passou de uma alucinação?”, questionou-se. Mas não. Observando o revestimento plástico do sofá onde o crime havia acontecido, percebeu o cheiro de detergente e marcas de pano, que sugeriam uma limpeza recente. Jeitosinha puxou seu cúmplice, Adenair, até o quarto.
- O que está acontecendo?
- Eu é que te pergunto! – retrucou o irmão – Você não iria matar o papai?
- Matei! Eu matei! Alguém escondeu os restos, limpou a sala e ainda deixou um falso bilhete para a mamãe!
Adenair deu um gritinho ansioso e histérico. Jeitosinha esbofeteou-lhe a face e disse, resoluta:
- Calma. Você já esperou mais de 20 anos. Não acho que seja a melhor hora pra soltar a franga…


Aguardem próximo capítulo!